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Home Filosofia

Carl Jung e Deus: A Experiência Religiosa sob a Ótica da Psique

O psiquiatra Carl Gustav Jung enfrentou teólogos que questionavam a origem psíquica da fé. Em uma correspondência com um pastor, ele defende que a única via de comunicação com o divino é pela psique humana. Descubra por que, para Jung, conhecer a Deus é uma experiência, não um mero ato de crença.

Rafael Gama Por Rafael Gama
dezembro 13, 2025
em Filosofia, Psicologia & Saúde Mental
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Carl Jung e Deus: A Experiência Religiosa sob a Ótica da Psique

Tópicos deste artigo:

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  • 1. Quem Foi Carl Gustav Jung?
  • 2. O Debate da Psicologização da Experiência Religiosa
    • A Crítica de Karl Barth e o Preconceito
    • A Prova Empírica vs. a Abstração Teórica
    • Carl Gustav Jung • Uma experiência com Deus não é o que você pensa
  • 3. As Autoridades de Jung: Tertuliano e Mestre Eckhart
  • 4. Crítica de Jung à Teologia e o Sofrimento Afetivo
  • 5. A Função Inegável da Psique na Comunicação Divina
  • 6. A Diferença entre Crer e Conhecer Deus (Experiência Pessoal)
    • Pontos Mais Importantes (Bullet List)

1. Quem Foi Carl Gustav Jung?

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um psiquiatra suíço. Ele foi contemporâneo de Sigmund Freud e é considerado o fundador da psicologia analítica.

O que se sabe sobre suas discussões a respeito da religião está expresso, em parte, em suas cartas, especialmente no primeiro volume, que cobre o período entre 1905 e 1945. As correspondências de Jung frequentemente incluíam cartas de líderes religiosos, como padres e pastores, e leigos, sobretudo cristãos, que muitas vezes polemizavam ou atacavam suas ideias.

2. O Debate da Psicologização da Experiência Religiosa

Em uma carta datada de 15 de agosto de 1932, Jung respondeu a um pastor sobre a controvérsia da “psicologização da experiência religiosa”.

A Crítica de Karl Barth e o Preconceito

Jung aborda a objeção levantada pelo teólogo suíço Karl Barth — um nome importante na teologia neo-ortodoxa — que era contra a ideia de que a experiência religiosa é uma experiência psíquica. Jung percebe que o pastor com quem ele correspondia endossava essa tese de Barth.

Jung afirma que a objeção sobre a psicologização da experiência religiosa não se justifica e corresponde a um preconceito. Ele desafia Bart ou qualquer outra pessoa a provar o que é o inconsciente, ou a provar que a experiência religiosa “provém de outra fonte que não seja a psique”.

A Prova Empírica vs. a Abstração Teórica

Jung argumenta que os teólogos frequentemente trabalham com questões teóricas e abstratas e, muitas vezes, desejam discutir questões empíricas que não podem ser sustentadas a partir de um debate puramente teórico.

A afirmação teológica de que a base da experiência religiosa é Deus é considerada uma afirmação “absurda” por Jung, pois não se pode provar que Deus existe e, consequentemente, não se pode provar que a experiência religiosa venha d’Ele. Por outro lado, quando Jung afirma que a experiência religiosa provém da psique, ele está fazendo algo que pode provar, mesmo que a validade de sua afirmação seja discutível. Jung baseava-se em uma pesquisa empírica que incluía documentos, sonhos, relatos de pacientes e desenhos.

Carl Gustav Jung • Uma experiência com Deus não é o que você pensa

 

3. As Autoridades de Jung: Tertuliano e Mestre Eckhart

Ao responder de onde descobriu que a psique é a fonte da experiência religiosa, Jung cita autoridades religiosas para embasar sua posição, a fim de argumentar com o pastor em seu próprio campo.

As autoridades religiosas citadas por Jung são Tertuliano (um autor da Patrística, do mundo antigo) e Mestre Eckhart (um autor cristão do mundo medieval). Ele menciona que Mestre Eckhart falava daquilo que ele próprio experimentava.

Jung interpretava que Mestre Eckhart, por exemplo, ensinava que experimentamos Deus a partir da nossa psique e que, através dela, temos contato com o divino. Embora Jung tivesse a sua própria experiência clínica como base mais forte, ele usou as referências teológicas para dialogar com o pastor.

Jung também lança uma ironia a Barth, afirmando que sua “própria experiência” lhe fornecia muito mais conhecimento da psique humana do que a “escrivaninha do Senhor Barth”, acusando o teólogo de ser um teórico trancado em seu gabinete, diferente de Eckhart.

4. Crítica de Jung à Teologia e o Sofrimento Afetivo

Jung aponta que a razão pela qual os teólogos não sabem lidar com a psique dos doentes está precisamente no fato de subestimarem “em larga escala” a psique humana e os planos de fundo psíquicos. Ele sugere que seria necessário um certo conhecimento de psicologia, sobretudo da psicologia do inconsciente, para lidar com os doentes.

A crítica de Jung se aprofunda ao considerar que a teologia pode prestar um desserviço à saúde afetiva na medida em que subestima as questões afetivas e psicológicas. Isso ocorre porque, segundo a análise presente nas fontes, a teologia pode contribuir para a difusão de preconceitos em relação à busca por ajuda profissional para o sofrimento afetivo. Para Jung, cada campo do saber precisa saber como se posicionar em relação a certas questões.

5. A Função Inegável da Psique na Comunicação Divina

Jung utiliza uma analogia para criticar a visão restrita dos teólogos, dizendo que é “como se Deus falasse aos homens e às mulheres também exclusivamente através do rádio e dos jornais ou dos sermões”. Ele afirma, de forma positiva e conclusiva, que:

“Deus nunca falou de outro modo aos homens e às mulheres que não na e pela psique”.

Para Jung, a psique é a única possibilidade de comunicação entre o divino e o ser humano. Qualquer experiência religiosa é, portanto, “necessariamente uma experiência psíquica”. A psique compreende o divino e nós “o experimentamos como algo psíquico”.

Aquele que nega que essa experiência seja psicologicamente mediada está negando “o olho que enxerga o sol”. Jung não estava reduzindo Deus à psique, mas afirmando que a psique é o único intermédio.

6. A Diferença entre Crer e Conhecer Deus (Experiência Pessoal)

A distinção entre crença e experiência era central para Jung. Próximo ao fim de sua vida, quando questionado se acreditava em Deus, Jung respondeu: “eu não acredito em Deus. Eu o conheço”.

Jung afirmava que tinha um conhecimento “experiencial de Deus”. Ele considerava que acreditar é um atributo daquele que não tem experiência, enquanto aquele que tem experiência “não precisa acreditar; ele sabe”.

Pontos Mais Importantes (Bullet List)

  • Fundador da Psicologia Analítica: Carl Gustav Jung foi um psiquiatra suíço (1875-1961) e fundador da psicologia analítica.
  • Psicologização Não é Preconceito: Jung defende que a objeção de Karl Barth (e do pastor) contra a psicologização da experiência religiosa corresponde a um preconceito não justificado.
  • Desafio Empírico: Jung desafia os teóricos a provar que a experiência religiosa provém de outra fonte que não seja a psique, visto que a existência de Deus (como base da religião) não pode ser provada.
  • Autoridades Religiosas: Jung utiliza Tertuliano e Mestre Eckhart como autoridades históricas que embasam sua visão de que se experimenta Deus através da psique, complementando sua própria experiência clínica.
  • Psique como Única Via: A tese central de Jung é que Deus nunca falou aos homens “de outro modo […] que não na e pela psique”.
  • O Olho que Enxerga: Negar que a experiência do divino é psíquica é o mesmo que negar “o olho que enxerga o sol”.
  • Crítica à Teologia: Os teólogos subestimam em larga escala a psique humana e os planos de fundo psíquicos, o que os impede de lidar com a psique do doente.
  • Conhecer vs. Crer: Jung tinha um conhecimento experiencial de Deus, afirmando que não acreditava Nele; ele O conhecia. A crença é para quem não tem a experiência direta.

A visão de Jung sobre a experiência religiosa pode ser comparada a um rádio: A crença é como supor que existe uma estação transmitindo (Deus), mas a psique é o aparelho receptor. Mesmo que a estação exista, se o receptor (a psique) não estiver ligado ou sintonizado, a mensagem (a experiência) jamais se manifestará ao indivíduo. Portanto, a experiência é, por definição, um fenômeno do aparelho receptor.

Tags: Jung CartasKarl BarthMestre EckhartPsicologização da FéTeologia e Psicologia
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Rafael Gama

Rafael Gama

Sou professor, escritor, logoterapeuta e psicanalista, com atuação nas áreas de Filosofia, Psicologia e Saúde Mental. Acredito que estudar é um caminho profundo de transformação interior e social, capaz de ampliar a consciência e fortalecer o sentido da vida. Sou defensor da Educação a Distância e atuo como tutor EAD no portal Educar para Transformar, onde desenvolvo conteúdos que integram conhecimento, espiritualidade e cuidado com a mente. Sou autor do livro Poesias, Reflexões e Autoconhecimento: Na Busca de Si Mesmo, no qual compartilho reflexões sobre existência, autoconhecimento e desenvolvimento humano.

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